Monitorização de feeds RSS: Por que razão o RSS, por si só, não é suficiente
Os feeds RSS são uma ferramenta subestimada. Existem desde 1999, sobreviveram ao fim do Google Reader e estão atualmente a viver um renascimento – O mercado global de RSS crescerá de 2,4 mil milhões de dólares (2024) para os 4,5 mil milhões de dólares previstos até 2035. Quem quiser acompanhar os blogs da concorrência, os podcasts ou as notícias do setor, consegue ir surpreendentemente longe com uma boa configuração de RSS – gratuitamente e sem grande esforço.
No entanto, enquanto solução completa para a monitorização da concorrência no setor B2B, o RSS apresenta uma lacuna decisiva: os canais B2B mais importantes não podem ser abrangidos por este sistema.
O que o RSS faz realmente bem
Antes de passarmos às limitações: o RSS funciona na perfeição para estas fontes.
Blogues corporativos
Quase todos os blogs B2B sérios têm um feed RSS – muitas vezes em /feed, /rss.xml ou /blog/feed. Quando um concorrente publica um novo artigo, este aparece automaticamente no vosso leitor. Esse é o ponto forte clássico do RSS.
Comunicados de imprensa
As plataformas de relações públicas, como a PR Newswire e a Business Wire, disponibilizam feeds RSS por empresa, setor ou região. Quem quiser saber quando um concorrente publica um comunicado de imprensa oficial fica bem servido com estas plataformas – especialmente no que diz respeito a anúncios de financiamento e atividades de fusões e aquisições, que muitas vezes são divulgadas primeiro através de comunicados de imprensa.
Podcasts
Tecnicamente, os podcasts são feeds RSS. Cada canal de podcast tem um URL de feed – isto permite-vos acompanhar automaticamente quando um concorrente ou uma fonte importante do setor publica um novo episódio.
Canais do YouTube – o truque secreto
Pouquíssimas pessoas sabem isto: o YouTube oferece, para cada canal público, um feed RSS oculto . O formato é o seguinte:
https://www.youtube.com/feeds/videos.xml?channel_id=[CHANNEL_ID]
Pode encontrar o ID do canal no URL da página do canal (em @Handle-Canais: na página do canal, em «Sobre» → «Partilhar» → «Copiar ID do canal»). Introduzam esta URL no Feedly ou no Inoreader – e serão informados imediatamente assim que for publicado um novo vídeo. Este feed é significativamente mais fiável do que o feed de subscrições do YouTube, que se está a tornar cada vez mais incompleto devido a alterações nos algoritmos.
Os limites do RSS
O RSS abrange uma parte importante da comunicação pública dos concorrentes – mas não tudo.
LinkedIn: Sem feed público
O LinkedIn eliminou o seu feed RSS público para as Páginas de Empresa em 2013. Desde então, já não é possível, Publicações no LinkedIn acompanhar através do RSS – nem as páginas das empresas nem os perfis dos executivos. Trata-se de um problema significativo, uma vez que o LinkedIn é, para as empresas B2B, o canal mais importante para o lançamento de produtos, contratações estratégicas e posicionamento no mercado.
Boletim informativo: Não disponível por predefinição
As newsletters por e-mail são enviadas diretamente aos assinantes – não existem feeds RSS para este efeito, a menos que o remetente ofereça explicitamente um arquivo web com feed RSS (o que é raro). Para as newsletters da concorrência, é necessário adotar uma abordagem diferente, que abordamos no artigo sobre Análise de newsletters descrever.
Alterações dinâmicas no site
O RSS apenas regista novos conteúdos – não regista alterações em páginas já existentes. Se um concorrente atualizar a sua página de preços, a sua visão geral de funcionalidades ou as suas descrições de funções, não ficarão a saber disso através do RSS.
Custos de manutenção
Os feeds RSS podem deixar de funcionar, ser transferidos ou ser descontinuados – e muitas vezes só se apercebem disso semanas mais tarde, quando deixam de chegar atualizações. Com 10 concorrentes, cada um com 3 a 4 fontes RSS, isso representa um esforço de manutenção que não deve ser subestimado.
Como tirar o máximo partido do RSS: recomendações práticas
Quem quiser utilizar o RSS como parte da sua configuração de monitorização vai conseguir avançar bastante com estas ferramentas e métodos – mesmo sem uma ferramenta especializada na análise da concorrência.
Feedly com filtragem por IA (Feedly Leo)
O Feedly é o leitor RSS mais utilizado para a monitorização profissional de conteúdos. A funcionalidade de IA «Feedly Leo» filtra os feeds por tema, oculta artigos irrelevantes e cria diariamente um resumo com prioridades. Isto resolve, pelo menos em parte, o problema do ruído no ecossistema RSS.
Inoreader com alertas por palavra-chave
O Inoreader oferece alertas por palavra-chave: quando uma determinada palavra aparece numa publicação do feed, recebem imediatamente uma notificação. É útil para palavras-chave da concorrência, como nomes de produtos, «Pricing» ou «Series B».
Automatização através do Make ou do Zapier
As novas entradas RSS podem ser reencaminhadas automaticamente para um canal do Slack ou para um painel da equipa – configurado em poucos minutos com o Make ou o Zapier. Isto resolve o problema da falta de visibilidade da equipa e transforma o RSS numa verdadeira ferramenta de monitorização colaborativa.
Quando o RSS atinge os seus limites
O RSS é um elemento fundamental – mas não é suficiente se quiserem responder às seguintes perguntas:
- O que é que o concorrente X publicou no LinkedIn na semana passada?
- Que novos vídeos publicou o concorrente Y no YouTube – e o que dizem os comentários?
- O que dizia a última newsletter do concorrente Z?
- O concorrente X alterou a sua página de preços?
Para estas questões, precisam de canais que o RSS não abrange. O RSS está atualmente a viver um renascimento – mas, precisamente porque os algoritmos se estão a tornar menos fiáveis e o alcance das redes sociais está a diminuir, a necessidade de um acesso mais direto às fontes aumenta, em vez de diminuir. O RSS, por si só, não preenche essa lacuna.
Conclusão
O RSS não é um meio obsoleto – e com o truque do feed do YouTube, o Feedly Leo e uma automatização do Make, terão uma configuração potente e económica para blogs, podcasts e canais do YouTube. Esta é uma boa forma de dar os primeiros passos na monitorização da concorrência.
A lacuna: o LinkedIn e as newsletters — as duas fontes de sinais mais importantes no B2B — não podem, assim, ser abrangidas. Quem precisar de uma visão completa terá de combinar o RSS com outros canais. O artigo explica como filtrar, a partir dos dados recolhidos, os sinais realmente relevantes Sinal vs. Ruído no Marketing B2B.